{"id":1305,"date":"2025-11-08T00:30:33","date_gmt":"2025-11-08T03:30:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbf.org.br\/?page_id=1305"},"modified":"2025-11-08T00:30:33","modified_gmt":"2025-11-08T03:30:33","slug":"editorial","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.cnbf.org.br\/index.php\/editorial\/","title":{"rendered":"EDITORIAL"},"content":{"rendered":"<table style=\"width: 98.5352%;\" border=\"0\" width=\"523\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"6\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td style=\"width: 100%;\" height=\"101\">\n<div align=\"left\">\n<div>\n<p class=\"chamada_abre\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-1306\" src=\"https:\/\/www.cnbf.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/faleiros-300x180.jpg\" alt=\"EDITORIAL\" width=\"300\" height=\"180\" srcset=\"https:\/\/www.cnbf.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/faleiros-300x180.jpg 300w, https:\/\/www.cnbf.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/faleiros-1024x614.jpg 1024w, https:\/\/www.cnbf.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/faleiros-768x461.jpg 768w, https:\/\/www.cnbf.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/faleiros.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<h3 class=\"chamada_abre\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><span style=\"font-family: helvetica, arial, sans-serif;\">Editoriais do maestro Ronaldo Faleiros (in memorian)<\/span><\/h3>\n<hr \/>\n<p class=\"texto_bold\" style=\"text-align: justify;\" align=\"right\">\u00a001\/01\/2010<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><strong class=\"texto_bold\">DESAFIO AOS QUE ACREDITAM E QUEREM CONSTRUIR<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\"><span class=\"texto_normal\">No ano em que a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Bandas e Fanfarras (CNBF) completara\u2019 quinze anos de sua funda\u00e7\u00e3o, e\u2019 hora de revermos suas conquistas, erros e acertos, sua influencia no cen\u00e1rio nacional e principalmente o aprimoramento dos seus objetivos que tra\u00e7am a postura de atua\u00e7\u00e3o das corpora\u00e7\u00f5es musicais filiadas atrav\u00e9s das representa\u00e7\u00f5es estaduais.<\/p>\n<p>Ao longo desses quinze anos da CNBF, e depois de dezessete de execu\u00e7\u00e3o do Campeonato Nacional de Bandas e Fanfarras, primamos pela pratica da discuss\u00e3o democr\u00e1tica, anualmente, no debate de posturas e regulamentos. Inicialmente, quando implantado em 1990, dentro do Projeto Bandas e Fanfarras executado pelo Governo do Estado de S\u00e3o Paulo, o Campeonato Nacional teve por base de regulamento o existente na implanta\u00e7\u00e3o do Campeonato Estadual institu\u00eddo em 1988, oriundo de congressos t\u00e9cnicos estaduais desde sua implanta\u00e7\u00e3o. Como a vis\u00e3o nacional era divergente em v\u00e1rios estados, instalou-se em 1991, em Goi\u00e2nia, GO, o 1\u00ba Encontro Nacional e Congresso T\u00e9cnico que estabeleceu a partir de ent\u00e3o os par\u00e2metros para o regulamento do Campeonato Nacional. Antes disso, o acesso era livre na participa\u00e7\u00e3o dos estados, sendo que estes tinham regras diferentes em suas competi\u00e7\u00f5es estaduais ou regionais e adaptavam-se quando participavam do Nacional. Cabe registrar que a partir de 1998 o Governo do Estado de S\u00e3o Paulo, atrav\u00e9s de convenio, desistiu da realiza\u00e7\u00e3o do Campeonato Nacional, passando esses direitos a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Bandas e Fanfarras. No ano 2000, o Minist\u00e9rio da Cultura passou a reconhecer o evento e inclusive patrocinou sua realiza\u00e7\u00e3o com todas as categorias em Bras\u00edlia, DF.<\/p>\n<p>As coisas evolu\u00edram no hist\u00f3rico ano de 2000, quando no Encontro Nacional de representantes de quinze estados na serra de Santo Antonio do Pinhal, SP, decidiram pela unifica\u00e7\u00e3o do regulamento para o Campeonato Nacional em todo o territ\u00f3rio brasileiro e ainda refor\u00e7aram suas representa\u00e7\u00f5es estaduais ao determinar de que dele s\u00f3 participariam, a partir de ent\u00e3o, as corpora\u00e7\u00f5es musicais filiadas. Isso, inequivocamente refor\u00e7ou as representa\u00e7\u00f5es estaduais e o espa\u00e7o de posicionamento pol\u00edtico do meio tomou forma e peso, ressalvadas as limita\u00e7\u00f5es regionais de apoio e atua\u00e7\u00e3o em alguns estados.<\/p>\n<p>Nesses quinze anos de atua\u00e7\u00e3o, e\u2019 necess\u00e1rio registrar, ou relembrar, que houve momentos de instabilidade na vida da CNBF, como o afastamento do Paran\u00e1, por tr\u00eas anos e o rompimento com S\u00e3o Paulo, em 2005. Pelas regras, desde sua funda\u00e7\u00e3o, a CNBF tamb\u00e9m cumpriu seu papel institucional e desfilou estados que n\u00e3o cumpriram suas obriga\u00e7\u00f5es, como a Bahia, Para\u00edba, Rond\u00f4nia,Mato Grosso e Distrito Federal. Alguns se recompuseram e permanecem no quadro nacional, outros est\u00e3o se recompondo.<\/p>\n<p>E\u2019 importante ressaltar que a CNBF e\u2019 uma representa\u00e7\u00e3o nacional, n\u00e3o regional, suscept\u00edvel a hegemonia de grupos ou interesses de estados ou regi\u00f5es. N\u00f3s temos o dever institucional de determinar posturas, formas e procedimentos no territ\u00f3rio nacional em nosso segmento. Essa e\u2019 nossa miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Por fim, depois de dezessete anos da realiza\u00e7\u00e3o do Campeonato Nacional, um sonho retomado por muitos depois da extin\u00e7\u00e3o ao Campeonato Nacional da Radio Record em 1982 , depois de vermos uma das bandeiras de objetivos de funda\u00e7\u00e3o da CNBF concretizadas, que e\u2019 o retorno da musica ao curr\u00edculo escolar, deparamo-nos com uma evolu\u00e7\u00e3o fant\u00e1stica da t\u00e9cnica e estilos das nossas corpora\u00e7\u00f5es musicais. Ao mesmo tempo, somamos ao nosso redor, nomes dos mais expressivos e conceituados do cen\u00e1rio musical brasileiro para compor nossas bancas avaliadoras, assessorias e consultorias. Importante lembrar que a regra inicial, desde os anos 90 prevalece: todos esses nomes s\u00e3o oriundos do meio de bandas!<\/p>\n<p>Chegamos, entretanto a uma inquestion\u00e1vel encruzilhada: por mais que os profissionais e respeitados nomes do meio musical brasileiro tenham contribu\u00eddo para a evolu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica de nosso regulamento nacional, ainda temos resqu\u00edcios s\u00e9rios de artigos d\u00fabios ou falhos que d\u00e3o brechas a interpreta\u00e7\u00f5es err\u00f4neas e prejudicam trabalhos t\u00e9cnicos de relev\u00e2ncia. Falamos em termos t\u00e9cnicos e funcionais das regras do campeonato. Ha, no regulamento nacional, votado e revisado anualmente pela Assembl\u00e9ia Nacional de filiados v\u00edcios do passado que privilegiam situa\u00e7\u00f5es e colocam outras em duvidas. H\u00e1 excessos de categorias que n\u00e3o se justificam do ponto de vista pedag\u00f3gico dentro da nossa realidade musical, ainda que respeitadas as culturas regionais.<\/p>\n<p>Para sanar essa situa\u00e7\u00e3o de vez, a diretoria da CNBF deve publicar nos pr\u00f3ximos dias o novo formato que norteara\u2019 o XVII Encontro Nacional de Regentes e Dirigentes das Entidades Filiadas a CNBF a ser realizado em local e data a serem divulgados, logo ap\u00f3s o Carnaval de 2010.<\/p>\n<p>Mais que isso, pela primeira vez, a CNBF pretende abrir as portas a todas as entidades afins existentes no Brasil, estaduais ou regionais, ainda que n\u00e3o filiadas, para que tenham seu espa\u00e7o e defendam suas proposi\u00e7\u00f5es, desde que sejam de integra\u00e7\u00e3o do meio.<\/p>\n<p>O objetivo da CNBF, como consta em seu\u00a0<strong>Artigo 3\u00ba<\/strong>\u00a0&#8211; A CNBF tem por objetivo e finalidades:<\/p>\n<p><strong>a)<\/strong>\u00a0Congregar as Federa\u00e7\u00f5es e Associa\u00e7\u00f5es de Bandas e Fanfarras e entidades afins existentes no territ\u00f3rio brasileiro, defendendo os seus interesses;<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0b)<\/strong>\u00a0Buscar meios para o desenvolvimento t\u00e9cnico de seus filiados;<\/p>\n<p><strong>c)<\/strong>\u00a0Coordenar e intensificar a participa\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o de seus filiados em eventos competitivos;<\/p>\n<p><strong>d)<\/strong>\u00a0Manter contatos com \u00f3rg\u00e3os oficiais ou particulares que realizem eventos de interesse dos filiados;<\/p>\n<p><strong>e)<\/strong>\u00a0Difundir o trabalho desenvolvido pelos filiados e os seus eventos.<\/p>\n<p><strong>\u00a0f)<\/strong>\u00a0Defender os interesses de seus filiados, dentro da Legisla\u00e7\u00e3o vigente no Territ\u00f3rio Nacional;<\/p>\n<p><strong>g)<\/strong>\u00a0Estimular e fortalecer a organiza\u00e7\u00e3o de novas entidades musicais;<\/span><\/p>\n<p class=\"chamada_abre\" style=\"text-align: justify;\" align=\"right\"><strong class=\"texto_bold\">Ronaldo Faleiros<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p class=\"chamada_abre\" style=\"text-align: justify;\" align=\"center\">EDITORIAL<\/p>\n<p class=\"texto_bold\" style=\"text-align: justify;\" align=\"right\">\u00a020\/05\/2009<\/p>\n<p class=\"texto_bold\" style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><strong>NOVOS TEMPOS, NOVOS HORIZONTES PARA AS BANDAS<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto_normal\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">Passadas as tempestades previs\u00edveis, vemo-nos diante de uma realidade premente: novos rumos, novos conceitos, novos estilos, novas posturas. Estamos falando da evolu\u00e7\u00e3o das bandas no in\u00edcio do s\u00e9culo XXI. Das oriundas dos quart\u00e9is de todas as armas, daquelas que incentivaram soldados nas batalhas pelo som de seus tambores, das mesmas que puxaram tropas vitoriosas e estudantes em desfiles c\u00edvicos e que hoje se tornaram belos espet\u00e1culos de m\u00fasica instrumental, sejam nas competi\u00e7\u00f5es, pra\u00e7as, teatros ou eventos p\u00fablicos. Quais optar? Nada de novo, se analisarmos que temos um estilo nacional pr\u00f3prio, ainda que pass\u00edvel de influ\u00eancias externas, suscet\u00edveis \u00e0s caracter\u00edsticas oriundas da evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica dos instrumentos de percuss\u00e3o, nosso \u00faltimo reduto no atraso do conhecimento musical, ainda que os ancestrais africanos nos concedam m\u00e9todos e enciclop\u00e9dias na Bahia vindos dos seus prim\u00f3rdios.<\/p>\n<p>Mas a evolu\u00e7\u00e3o dos metais na Europa e Am\u00e9rica do Norte nos influenciou o bastante para que nossas bandas tamb\u00e9m assimilassem o que estava \u00e0 m\u00e3o e o que era poss\u00edvel num passado n\u00e3o muito distante. Pela dificuldade de acesso e tempo para receber as \u201cgrandes novidades\u201d, ainda passamos dezenas de anos \u00e0 espera da realidade instrumental no mundo pulsante al\u00e9m do Atl\u00e2ntico, sejam nas salas de concerto, das bandas nos desfiles patri\u00f3ticos e festivos ou ainda nos regulares servi\u00e7os dos quart\u00e9is.<\/p>\n<p>Enquanto as obras dos grandes compositores cl\u00e1ssicos de ent\u00e3o por aqui \u201cpipocavam\u201d nas hist\u00f3ricas apresenta\u00e7\u00f5es dos teatros de Manaus, Bel\u00e9m e por \u00faltimo Rio de Janeiro, um abnegado arrebanhava nos portos de Santos, que recebiam imigrantes \u201cas pencas\u201d, os m\u00fasicos que iam constituir a base de nossa evolu\u00e7\u00e3o instrumental no fim do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do s\u00e9culo XX, gra\u00e7as \u00e0 persist\u00eancia do maestro Joaquim Ant\u00e3o Fernandes, regente da banda da antiga For\u00e7a P\u00fablica do Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Isso consolidou, a partir de S\u00e3o Paulo, o formato at\u00e9 hoje persistente das nossas bandas militares e, por conseq\u00fc\u00eancia, das nossas bandas estudantis. Ressalte-se, por\u00e9m que a influ\u00eancia migrat\u00f3ria naquele momento tem duas vertentes: dos italianos e tamb\u00e9m dos franceses. O segmento militar brasileiro (do ex\u00e9rcito) seguiu a linha francesa e os demais (for\u00e7as auxiliares ou for\u00e7as menores) tiverem uma influencia maior de italianos. A partir da segunda guerra mundial e com o envolvimento do Brasil no epis\u00f3dio a influ\u00eancia americana passou a predominar em nossas bandas militares, principalmente quanto a repert\u00f3rio e estilo de marcha e mesmo na forma\u00e7\u00e3o instrumental. A base civil, entretanto, impregnada pelos franceses, premente at\u00e9 hoje nas ra\u00edzes de estilo no ex\u00e9rcito e na pr\u00f3pria marinha, ber\u00e7o inicial das nossas bandas militares, s\u00e3o a fonte das nossas escolas de bandas escolares e, principalmente, as fanfarras que proliferaram a partir da d\u00e9cada de 50 no tend\u00eancia getulista procivismo contando inclusive com o engajamento hist\u00f3rico de Heitor Villa Lobos.<\/p>\n<p>Nos dias de hoje, vivemos a realidade concreta da volta do ensino da m\u00fasica em nossas escolas p\u00fablicas e particulares, depois de 40 anos de atraso nesse segmento cultural, heroicamente suprido pela persist\u00eancia das bandas e fanfarras escolares cujas atividades extracurriculares propiciaram o ensino musical a milhares, de forma gratuita, sem diletantismo por parte dos seus aplicadores ou mesmo apoio formal do governo. Tudo isso foi conseguido gra\u00e7as a in\u00fameros abnegados, centenas de an\u00f4nimos, principalmente os autodidatas, que agora provavelmente ser\u00e3o banidos ou discriminados ante a nova lei, caso n\u00e3o consigam, num per\u00edodo de tr\u00eas anos (prazo final para a defini\u00e7\u00e3o do conte\u00fado oficial da nova mat\u00e9ria), um certificado de habilita\u00e7\u00e3o ou especializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O perigo estar\u00e1 nas inten\u00e7\u00f5es e resultados daqueles que suprir\u00e3o esses postos de imediato em confronto com o resultado da evolu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica at\u00e9 aqui conquistada, se tais postos forem supridos.<\/p>\n<p>H\u00e1 de se analisar, tamb\u00e9m, a tend\u00eancia de uma \u201curg\u00eancia de defini\u00e7\u00e3o de rumos imediata\u201d que em nada vai ajudar a pauta final. Por exemplo, a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Bandas e Fanfarras, que tinha como uma de suas bandeiras o retorno da m\u00fasica ao curr\u00edculo escolar, desde a sua funda\u00e7\u00e3o, em 1995, e que foi uma das primeiras cinq\u00fcenta entidades de representa\u00e7\u00e3o nacional signat\u00e1rias do documento que levou a nova lei, captou nos \u00faltimos meses que diretores de escolas da rede p\u00fablica, ainda desinformados das diretrizes a seguir para cumprimento e implanta\u00e7\u00e3o da nova mat\u00e9ria obrigat\u00f3ria no ensino fundamental, vislumbraram que possuem instrumentos musicais h\u00e1 muito desativados em seus por\u00f5es e bastar\u00e1 coloc\u00e1-los em atividade para cumprir determinada carga hor\u00e1ria. Com quem? Por quem? Pelos atuais habilitados em educa\u00e7\u00e3o art\u00edstica que continuar\u00e3o a suprir suas quotas, mas que n\u00e3o s\u00e3o especificamente habilitados em m\u00fasica?<\/p>\n<p>Pior, captamos tamb\u00e9m um expressivo percentual daqueles mandat\u00e1rios escolares que n\u00e3o est\u00e3o nem um pouco preocupados com a quest\u00e3o, porque simplesmente n\u00e3o acreditam na implanta\u00e7\u00e3o da nova lei. Seria mais uma lei aprovada a n\u00e3o se cumprir porque sua regulamenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o se concretizar\u00e1, seja pela quantidade de diverg\u00eancias ou impasses de aplica\u00e7\u00e3o, principalmente quando envolve o cumprimento da lei maior, que \u00e9 a contrata\u00e7\u00e3o de graduados ou habilitados para o ensino ou mat\u00e9ria espec\u00edficos.<\/p>\n<p>Tem mais: na \u00e1rea mercadol\u00f3gica do ensino, in\u00fameras escolas particulares de m\u00fasica enxergaram uma fonte nova, imediata, com prazo determinado (tr\u00eas anos) a abocanhar, que \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de habilitados em m\u00fasica. Sabe-se que no momento, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 nova lei, faltar\u00e3o especialistas em todo o Brasil para o seu desenvolvimento ou aplica\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria. Tamb\u00e9m temos consci\u00eancia que existem institui\u00e7\u00f5es s\u00e9rias na \u00e1rea musical em atividade no Brasil, p\u00fablicas e particulares, mas tamb\u00e9m n\u00e3o desconhecemos as in\u00fameras escolas que priorizam o lucro imediato e que a seriedade ou qualidade s\u00f3 v\u00eam \u00e0 tona quando questionadas, denunciadas ou confrontadas.<\/p>\n<p>Para se confirmar isso, basta uma simples pesquisa na internet \u00e9 j\u00e1 se torna espantosa a quantidade de \u201cescolas de m\u00fasica\u201d que est\u00e3o oferecendo cursos \u201con line\u201d, com direito a certifica\u00e7\u00e3o e tudo. Parece utopia, mas n\u00e3o \u00e9. E o pior \u00e9 que a legisla\u00e7\u00e3o vigente permite isso. D\u00e1 para imaginar algu\u00e9m \u201cformado ou habilitado\u201d nessas condi\u00e7\u00f5es? Sem aulas de percep\u00e7\u00e3o, an\u00e1lise, conjunto, pr\u00e1tica instrumental etc?<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m que se registrar, que as diretrizes educacionais de alguns governos estaduais, como S\u00e3o Paulo, Sergipe e a pr\u00f3pria Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do Distrito Federal, abriram brechas de inclus\u00e3o da m\u00fasica, j\u00e1 h\u00e1 alguns anos em seus curr\u00edculos de educa\u00e7\u00e3o art\u00edstica, apesar da maioria absoluta n\u00e3o ser executada por especialistas. Afinal, o conte\u00fado \u00e9 meramente pontual, ou residual. Mas h\u00e1 exce\u00e7\u00f5es: o Col\u00e9gio Marista de Bras\u00edlia, por exemplo, onde tivemos a honra de trabalhar, sempre teve como op\u00e7\u00e3o para o aluno a escolha da educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica ou a banda. E isso se pratica por l\u00e1 h\u00e1 mais de 20 anos. A carga hor\u00e1ria, freq\u00fc\u00eancia e desempenho seja qual for a escolha tem o mesmo peso na avalia\u00e7\u00e3o final do aluno ou aluna. Sabemos que outras institui\u00e7\u00f5es seguem essa mesma linha ou diretriz pelo Brasil afora, mas s\u00e3o pouqu\u00edssimas.<\/p>\n<p>Por fim, h\u00e1 ainda o discurso j\u00e1 posto em pr\u00e1tica pelos \u201cinovadores da cultura nacional principalmente na \u00e1rea musical\u201d. Independentemente dos lobbys da ind\u00fastria instrumental no mundo, temos a preservar uma identidade hist\u00f3rica, genu\u00edna, com influ\u00eancias sim, mas nascidas no seio dessa sociedade mesclada de ra\u00e7as ao longo desses 509 anos de exist\u00eancia, mas apenas 201 no desenvolvimento das bandas. Referimo-nos a tentativa de implanta\u00e7\u00e3o de modelos e estilos de corpora\u00e7\u00f5es musicais, no caso bandas e fanfarras, foco desse texto, importadas de outras plagas que n\u00e3o s\u00e3o nossa realidade. Por exemplo, as drumms corps ou show bands que empolgam plat\u00e9ias em v\u00e1rios est\u00e1dios do mundo ou em seus campeonatos espec\u00edficos n\u00e3o deixam de ter seu valor art\u00edstico e cultural, mas quando sua ess\u00eancia tenta aqui ser implantada descobrimos coisas simples que se confrontam com nossa realidade: n\u00e3o temos quadras cobertas com tratamento ac\u00fastico para tal tipo de apresenta\u00e7\u00e3o; n\u00e3o temos professores suficientemente especializados ou formados no Brasil na \u00e1rea de percuss\u00e3o ( que \u00e9 a base desse tipo de corpora\u00e7\u00e3o ou forma\u00e7\u00e3o) para implantar uma nova pr\u00e1tica. Sem esquecer, ainda, que o desenvolvimento do estudo da percuss\u00e3o em nossas bandas \u00e9 muito recente (\u00faltimos quinze anos no m\u00e1ximo). Isso, sem nos referirmos \u00e0 ac\u00fastica de nossos est\u00e1dios de futebol. N\u00e3o estamos decretando ou afirmando que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Estamos apontando que, se houver investimento, se houver forma\u00e7\u00e3o de especialistas, se houver espa\u00e7os adequados, quem sabe num espa\u00e7o de mais 15 a 20 anos, o mesmo tempo que aprendemos que temos que estudar e aplicar t\u00e9cnicas corretas na percuss\u00e3o em nossas bandas, tenhamos conjuntos ou grupos instrumentais diversos, de culturas alheias as nossas e at\u00e9, como \u00e9 peculiar do brasileiro, criar um estilo alternativo. \u00c9 por essas e outras raz\u00f5es, que talvez um dia, in\u00fameras escolas do Recife, em Pernambuco e outros estados do extremo nordeste, descubram como utilizar uma quantidade expressiva de gaitas de fole estocadas em seus por\u00f5es desde a invas\u00e3o holandesa. Se foram utilizadas no passado como uma nova cultura, por que ser\u00e1 que n\u00e3o permaneceram? Afinal, a invas\u00e3o holandesa no Brasil n\u00e3o durou apenas um ver\u00e3o, mas cerca de 50 anos. Isso significa dizer, uma gera\u00e7\u00e3o inteira. Suas influ\u00eancias est\u00e3o em todos os lados daquela regi\u00e3o, n\u00e3o apenas na arquitetura, mas em muitos costumes. De Recife, passando por Natal at\u00e9 Bel\u00e9m do Par\u00e1!<\/p>\n<p>Auguremos que primeiro consolidemos as nossas bases, \u00e9, as colonizadoras mesmo, certid\u00e3o de nossas ra\u00edzes que n\u00e3o podemos negar e as aprimoremos mais ainda para depois absorver os efeitos dos modismos a serem importados ou at\u00e9 suplantar culturas e estilos, em confronto direto com a realidade das bandas e fanfarras brasileiras que levaram 200 anos para adquirirem sua identidade. Com DNA pr\u00f3prio, leg\u00edtimo. Isso ningu\u00e9m poder\u00e1 subverter, desde as colinas hist\u00f3ricas das bandas centen\u00e1rias de Minas Gerais que persistem sem fugir aos seus estilos da \u00e9poca do barroco \u2018as grandes inova\u00e7\u00f5es das bandas de metais (bandas marciais) do estado de S\u00e3o Paulo ou as fanfarras que proliferam por todas as regi\u00f5es do Brasil.<\/p>\n<p>J\u00e1 recebemos da m\u00eddia perguntas do tipo \u201cmas essa de alunos com uniformes tocarem e marcharem n\u00e3o \u00e9 coisa do regime militar\u201d? Ou ainda, \u201cescolares desfilando em 7 de setembro atr\u00e1s de uma fanfarra ou banda n\u00e3o \u00e9 coisa do passado?\u201d E mais: \u201cas bandas n\u00e3o est\u00e3o em extin\u00e7\u00e3o? N\u00e3o \u00e9 poesia dos tempos dos nossos av\u00f3s?\u201d<\/p>\n<p>Normalmente, tentando controlar o \u201cdesapontamento da informa\u00e7\u00e3o questionada\u201d, respondemos que as bandas ou fanfarras no primeiro per\u00edodo do s\u00e9culo XXI n\u00e3o est\u00e3o em extin\u00e7\u00e3o no Brasil. Ao contr\u00e1rio, as bandas mudaram e evolu\u00edram muito. Hoje, a maioria, ao inv\u00e9s das tradicionais retretas nos coretos das pra\u00e7as, as bandas musicais que se transformaram em bandas sinf\u00f4nicas, executam concertos em recintos fechados ( teatros quando os h\u00e1, cinemas e at\u00e9 igrejas). E o n\u00edvel t\u00e9cnico \u00e9 aplaudido por in\u00fameros especialistas em todos os cantos do Brasil. Muitos, especialistas que advieram delas e hoje tocam em nossas orquestras sinf\u00f4nicas. As bandas de metais (bandas marciais) que desfilam ou se apresentam em concursos espec\u00edficos, juntamente com as fanfarras, d\u00e3o um show visual e sonoro e sempre empolgam o p\u00fablico que as prestigiam. Quanto ao civismo, todas essas corpora\u00e7\u00f5es musicais, sejam de qual for a categoria, o preserva porque uma das regras, antes de tudo, \u00e9 a apresenta\u00e7\u00e3o da bandeira nacional, al\u00e9m de outros valores que s\u00e3o ensinados na disciplina e conviv\u00eancia de grupo. O que a m\u00eddia e os meios governamentais ainda n\u00e3o enxergaram, \u00e9 que esse segmento cultural brasileiro (bandas e fanfarras) \u00e9 hoje a \u00fanica atividade c\u00edvica ativa no meio da juventude brasileira, sem imposi\u00e7\u00f5es, exercido de forma espont\u00e2nea, com altos resultados sociais. Que a lei que tanto almejamos (da volta da m\u00fasica ao curr\u00edculo escolar) n\u00e3o seja desvirtuada e muito menos manipulada.<\/p>\n<p class=\"texto_normal\" style=\"text-align: justify;\" align=\"right\">\n<strong class=\"texto_bold\">Ronaldo Faleiros<br \/>\nMaestro, presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Bandas e Fanfarras<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p class=\"texto_bold\" style=\"text-align: justify;\" align=\"right\">\u00a023\/04\/2007<\/p>\n<p class=\"texto_bold\" style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><strong>A RESPONSABILIDADE, A OMISS\u00c3O E A INDIFEREN\u00c7A<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto_normal\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">A priori, dever\u00edamos estar escrevendo ou comentando os debates e resolu\u00e7\u00f5es do \u00faltimo Encontro Nacional do nosso meio, realizado no in\u00edcio de mar\u00e7o em Barra Mansa, no estado do Rio de Janeiro, o que ser\u00e1 feito a posteriori.<\/p>\n<p class=\"texto_normal\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">No momento, o assunto mais premente, que se faz necess\u00e1rio, ante a sua import\u00e2ncia para o cen\u00e1rio musical brasileiro e que poder\u00e1 modificar profundamente a cria\u00e7\u00e3o e sustenta\u00e7\u00e3o das corpora\u00e7\u00f5es musicais no seio da juventude desse Pa\u00eds, \u00e9 a possibilidade real do retorno da musica ao curr\u00edculo escolar.<\/p>\n<p class=\"texto_normal\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">Conforme detalha o notici\u00e1rio no site da CNBF, um grupo distinto de profissionais da \u00e1rea musical, comprovadamente do melhor escal\u00e3o, tomou a feliz iniciativa de encaminhar ao Senado Federal, um documento, em forma de Manifesto, reivindicando a implanta\u00e7\u00e3o, ou retorno, da m\u00fasica no ensino fundamental.<\/p>\n<p class=\"texto_normal\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">Em primeira an\u00e1lise, seria mais uma das tantas tentativas que j\u00e1 ocorreram desde a fracassada grande oportunidade na reforma constitucional de 1988. Na \u00e9poca, os diretamente principais interessados, como a ind\u00fastria nacional de instrumentos, investiram pesado num lobby que n\u00e3o alcan\u00e7ou o objetivo. Seguiram-se outras tentativas, de v\u00e1rios segmentos musicais, todas sem sucesso a nosso ver por um v\u00edcio de origem: ora da \u00e1rea pol\u00edtica, ora dos setores do com\u00e9rcio educacional musical, ora das ind\u00fastrias.<\/p>\n<p class=\"texto_normal\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">Em segunda an\u00e1lise, poder\u00edamos perguntar por que esse novo e seleto grupo reivindicante n\u00e3o partiu para a solu\u00e7\u00e3o constitucional de se colher um milh\u00e3o de assinaturas e encaminhar diretamente a proposta em forma de projeto ao Congresso?<\/p>\n<p class=\"texto_normal\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">Conclu\u00edmos que a forma escolhida, a do Manifesto, foi a mais objetiva, uma vez que define as raz\u00f5es sem v\u00edcios e estende \u2018a reflex\u00e3o todos os segmentos musicais interessados, fornecendo tempo ao debate racional dos interesses do meio musical.<\/p>\n<p class=\"texto_normal\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">V\u00e1rios segmentos est\u00e3o se somando a essa a\u00e7\u00e3o, que a cada dia se torna mais forte. Pelas \u00faltimas not\u00edcias captadas junto ao Senado Federal, poderemos ter realmente em breve um projeto de lei em andamento.<\/p>\n<p class=\"texto_normal\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">Analisando todas as ades\u00f5es, constatamos infelizmente que h\u00e1 setores importantes que est\u00e3o se omitindo. Alguns diretamente ligados a \u00e1rea acad\u00eamica. N\u00e3o se justificaria ai a falta de informa\u00e7\u00e3o, uma vez que todas as universidades do Pa\u00eds ( p\u00fablicas e particulares) foram chamadas a compor essa iniciativa.<\/p>\n<p class=\"texto_normal\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">Por outro lado, especificamente no segmento bandas e fanfarras, comprovamos mais uma vez, claramente, que algumas organiza\u00e7\u00f5es que se intitulam defensoras do meio, alimentando sites com coment\u00e1rios e promo\u00e7\u00f5es duvidosas, simplesmente adotaram a posi\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a com rela\u00e7\u00e3o a esse movimento.<\/p>\n<p class=\"texto_normal\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">S\u00f3 esperamos que, quando o ato tomar forma, os caronistas de \u00faltima hora n\u00e3o se apresentem como salvadores da cultura musical.<\/p>\n<p class=\"texto_normal\" style=\"text-align: justify;\" align=\"right\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<strong>\u00a0\u00a0\u00a0 Ronaldo Faleiros<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p class=\"texto_bold\" style=\"text-align: justify;\" align=\"right\">\u00a002\/04\/2006<\/p>\n<p class=\"texto_bold\" style=\"text-align: justify;\" align=\"center\">\u00a0HORA DE SOMAR E CRESCER<\/p>\n<p class=\"texto_normal\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">A pr\u00f3pria hist\u00f3ria brasileira nos mostra que enquanto grupos e id\u00e9ias revolucion\u00e1rias digladiaram-se entre si, as subdivis\u00f5es provocaram desgastes e at\u00e9 desvirtuamento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 causa comum, redirecionando os objetivos para interesses pessoais, e n\u00e3o coletivos.<\/p>\n<p class=\"texto_normal\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">Ao retomarem a ess\u00eancia da causa, pressupondo-se de origem nobre, mesmo quando vitoriosa, constatamos que os anos perdidos deixaram seq\u00fcelas de minorias inconformadas. Da\u00ed a principal explica\u00e7\u00e3o das ojerizas pessoais que, a priori, s\u00f3 sobrevivem \u00e0 sombra e a distancia do f\u00f3rum original de discuss\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"texto_normal\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">Na pr\u00e1tica da democracia, ou mais especificamente na pr\u00e1tica democr\u00e1tica da busca por um consenso de objetivo cultural comum, como \u00e9 nosso segmento (bandas e fanfarras), conseguiu-se nos \u00faltimos dezesseis anos um avan\u00e7o extraordin\u00e1rio quando o meio acreditou e convenceu-se que s\u00f3 se faria ouvir quando organizado em representa\u00e7\u00f5es de classe.<\/p>\n<p class=\"texto_normal\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">Essas representa\u00e7\u00f5es, federa\u00e7\u00f5es e associa\u00e7\u00f5es, hoje existentes em 20 estados brasileiros, inicialmente foram criadas para buscar um caminho e regras comuns, que proporcionassem o que todos almejavam: o crescimento, reconhecimento e valoriza\u00e7\u00e3o de nossas corpora\u00e7\u00f5es musicais no cen\u00e1rio nacional.<\/p>\n<p class=\"texto_normal\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">Infelizmente, tamb\u00e9m constatamos que no cerne dessas iniciativas, tamb\u00e9m se embutiram interesses pol\u00edticos pessoais em algumas regi\u00f5es, em outras pura e simplesmente a manuten\u00e7\u00e3o do exerc\u00edcio \u201cfeudal\u201d do dom\u00ednio sobre aqueles que n\u00e3o t\u00eam acesso a informa\u00e7\u00e3o e se faz de tudo para que continuem n\u00e3o tendo, ou que se permane\u00e7a a \u201cdepend\u00eancia pol\u00edtica ou t\u00e9cnica do olho \u00fanico em terra de cego\u201d.<\/p>\n<p class=\"texto_normal\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">Experi\u00eancias, erros e acertos \u00e0 parte, \u00e9 fato, tamb\u00e9m, que em toda a pr\u00e1tica democr\u00e1tica existam diverg\u00eancias e discord\u00e2ncias. Mas o pr\u00f3prio sistema igualit\u00e1rio de direitos de opini\u00e3o e a\u00e7\u00f5es, \u00e0 forma da lei das organiza\u00e7\u00f5es representativas, tamb\u00e9m fornece as ferramentas corretas para que as opini\u00f5es sejam respeitadas ou se tornem pr\u00e1ticas do interesse geral.<\/p>\n<p class=\"texto_normal\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">Dentro do nosso segmento, criou-se a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Bandas e Fanfarras. Um f\u00f3rum amplo, cada vez mais representativo no territ\u00f3rio nacional. Entretanto, como em todos os demais segmentos democr\u00e1ticos da vida brasileira, h\u00e1 diverg\u00eancias. Elas s\u00e3o debatidas e chega-se a um consenso em assembl\u00e9ias, ordin\u00e1rias e extraordin\u00e1rias. Em reuni\u00f5es de diretoria e assembl\u00e9ias nas representa\u00e7\u00f5es estaduais.Todos sob a \u00e9gide de um Estatuto elaborado na forma da lei e da democracia. As discrep\u00e2ncias, de ordem disciplinar e \u00e9tica, contam at\u00e9 com um Tribunal espec\u00edfico, calcado num minucioso estudo jur\u00eddico, j\u00e1 aprimorado duas vezes, que s\u00f3 valoriza o meio e seus objetivos.<\/p>\n<p class=\"texto_normal\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">Mas ainda existem as a\u00e7\u00f5es de inconformados, de discordantes que se recusam a fazer uso da palavra e seus direitos e preferem induzir outros, incautos, desprovidos de opini\u00e3o pr\u00f3pria.<\/p>\n<p class=\"texto_normal\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">Sem julgamento de valor, s\u00f3 fica vis\u00edvel que, ao inv\u00e9s de participarem democraticamente de todos os debates e a\u00e7\u00f5es que a maioria das entidades buscam cumprir, onde exp\u00f5e suas teses, opini\u00f5es e sugest\u00f5es, preferem as sombras e a divis\u00e3o, ou subdivis\u00e3o em correntes que, em princ\u00edpio, deveriam buscar o objetivo original. Infelizmente o que se constata \u00e9 que as a\u00e7\u00f5es s\u00e3o \u00a0de interesse ou indiosincrazias pessoais ou de hegemonia regional e at\u00e9 mesmo de imposi\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica usando-se at\u00e9 artif\u00edcios de acesso econ\u00f4micos.<\/p>\n<p class=\"texto_normal\" style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">Se o caminho a seguir tem variantes, tamb\u00e9m \u00e9 direito de quem quiser, buscar sua op\u00e7\u00e3o. Mas se o objetivo a alcan\u00e7ar \u00e9 um s\u00f3, acreditamos que todos, juntos, poderemos chegar mais depressa, sem dispers\u00f5es. Pelo menos para aqueles que pensam da mesma forma. Os demais mostrar\u00e3o naturalmente a que vieram, mais cedo ou mais tarde. Nesse ponto, a pr\u00f3pria historia da sobreviv\u00eancia das bandas e fanfarras no Brasil, \u00e0 margem das pol\u00edticas culturais, j\u00e1 produziu alguns exemplos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"right\"><span class=\"texto_normal\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ronaldo Faleiro<\/strong><\/span><strong>s<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Editoriais do maestro Ronaldo Faleiros (in memorian) \u00a001\/01\/2010 DESAFIO AOS QUE ACREDITAM E QUEREM CONSTRUIR No ano em que a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Bandas e Fanfarras (CNBF) completara\u2019 quinze anos de sua funda\u00e7\u00e3o, e\u2019 hora de revermos suas conquistas, erros e acertos, sua influencia no cen\u00e1rio nacional e principalmente o aprimoramento dos seus objetivos que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-1305","page","type-page","status-publish","hentry"],"_hostinger_reach_plugin_has_subscription_block":false,"_hostinger_reach_plugin_is_elementor":false,"wpmagazine_modules_lite_featured_media_urls":{"thumbnail":"","cvmm-medium":"","cvmm-medium-plus":"","cvmm-portrait":"","cvmm-medium-square":"","cvmm-large":"","cvmm-small":"","full":""},"categories_names":null,"comments_number":"0","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbf.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1305","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbf.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbf.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbf.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbf.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1305"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.cnbf.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1305\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1308,"href":"https:\/\/www.cnbf.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1305\/revisions\/1308"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbf.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1305"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}